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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Carta a um pai desesperado... - A garota das cicatrizes de fogo - Ricardo Ragazzo




Johnny Falco,


imagino a dor que você está sentindo... Filhos são como uma parte de nós. Ter um filho tirado dos nossos braços é como ter uma parte da carne das nossas costas ou mesmo um braço tirado... Ainda mais na idade que estava Diana. Tive uma Diana que foi tirada de mim... Era como minha filha, apesar de não ser de sangue. Doeu... Ainda dói... É uma ligação que só pode ser descrita como divina... Quando você vê o rosto de um filho é como se o sol brilhasse apenas para você... Sua Diana ainda era tão bebê... A minha ainda está por aí crescendo, apesar de não tê-la mais por perto. As vezes acordo pensando que ouvi sua voz, mas logo percebo que eram apenas minhas lembranças me fazendo sofrer um dia a mais... A dor não passa, Johnny... Apenas com a morte ela cessará... Sei que ajudar a Lisa não foi como se fosse Diana, mas ajuda a diminuir um pouco a dor. Espero que você esteja bem...

Anna


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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Carta a um menino solitário... - Festa no Covil




Tochtli,

fico triste por você não poder conhecer mais pessoas... Também gosto dos franceses, mas não porque inventaram a guilhotina, gosto de sua literatura. Seu tutor não te apresentou seus escritores. Pois são o melhor que a França tem para mostrar ao resto do mundo. Também gosto de chapéus, mas não tenho uma coleção como a sua. Quem sabe um dia seu pai permite que eu vá ao seu palácio e conheça sua coleção. Também gostaria muito de ver sua coleção de animais. Você possui muitas coisas... Ainda há algo que deseja além do que seu pai pode comprar? Eu conseguirei para você... Minha criança, eu poderia ser sua mãe, mas assim não aconteceu. Quem sabe um dia não te levo para conhecer o mundo?

Anna 
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Carta a vampiro sensivel... - Entrevista com Vampiro - Anne Rice




Louis,

Sei das mudanças que ocorreram na sua vida, mas você precisa se acostumar... Não tem volta. Você já está morto. Sei que Lestat é difícil de lidar... Tem momentos que nem eu consigo ficar muito tempo próxima a ele... Desculpe se estou a um tempo longe de você, mas não suporto aquela garotinha que você resolveu transformar em imortal. Você já percebeu a maldade daquela menina? Tenho um certo medo dela. Você tem visto o Armand? Ou ele também não suporta a criança? Ele é um doce. Um dos poucos imortais que conheço que valem a pena... Ele me convidou para ver a Rússia, mas sei o quanto você precisa de mim aqui. Alguém precisa ter atitude, enquanto você filosofa ou entra em crises de identidade. Desculpe, não quis ofender, mas estou cansada de não ter alguém para cuidar de mim... Sei que não é a sua intenção. Você é gentil demais para me maltratar por vontade própria. É tudo culpa daquela garotinha. Até já esqueci o nome dela. Deixe-a e poderemos ir conhecer a Rússia com Armand...

Anna
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Carta a outra Alice... - Presságio - Assassinato da freira nua - Leonardo Barros


Alice,

acredito em você... Também vejo coisas... Porque será que as pessoas nunca acreditam no que dizemos? Os mundos que nossos olhos vêem não possuem acesso para todo mundo. Quando descobri a chave, tive medo, mas hoje percebo a riqueza que é esse mundo e que privilégio é poder acessá-lo sempre que quisermos. A chave nos leva para todo um universo de conhecimento que nem todos estão preparados... Será que somos especiais ou amaldiçoadas? Quem sabe... E a Freira nua? Espero que já tenha descoberto quem foi. 

Anna
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Carta a um ingênuo... - Cândido - Voltaire




Cândido,


Tenho conhecimento de tudo o que aconteceu com você... Sei o quanto foi difícil, mas enfim estamos no melhor dos mundos possíveis. Podia ser pior. Cada situação que passamos nos ensina algo. As situações de quase-morte nos ensinam o quanto valioso é a vida. Até porque podemos ter perdido tudo, ter visto morrer pessoas que amamos, podem ter comido nossas nádegas, podem ter esquartejado nossa mãe, mas estamos no melhor dos mundos possíveis... Ah, temos muito o que agradecer... Espero que a partir de agora, você tenha aprendido e passe a cuidar mais de nosso jardim...

Anna
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Carta a um rapaz de vermelho ou negro... - O vermelho e o negro - Stendhal




Julien,

desde o momento em que vi você lendo no alto do depósito de seu pai, fiquei encantada... Eu sei como é nascer em uma família em que você se sente anormal. Também amo os livros assim como você. A Senhora de Rênal era uma verdadeira dama. Em muitos momentos, quis ser como ela... Em outros, eu quis ser ela... Você não percebia que ela amava você? Tive medo de você se perder nos braços dela. Mas depois você foi a Paris. Meu coração pensou estar a salvo. Mas nesse momento surge Mathilde de La More. Logo ela que tanto te desprezara? Tive raiva... Tive medo... Quis matá-la... Quis morrer... Perdemos cabeça... Mas você disse que a amava, não disse? Agora que você já não está aqui, só posso chorar... Será que valeu a pena? Vou todos os dias te ver, mas você já não está comigo...

Anna
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Carta a um rejeitado! - Frankenstein - Mary Shelley




Ser,

Entendo sua dor... Sei o quanto é duro ser rejeitado. Sua bondade é bastante visível. Entendo o porquê dos seus atos. Acho até que faria o mesmo. Você sofreu preconceito por parte das pessoas. Não entendo o porquê deles não poderem simplesmente ouvir o que você tem a dizer... Fiquei bastante feliz ao saber que autonomamente você adquiriu linguagem. Feliz por saber que agora podemos conversar. E a leitura? Fiquei impressionada com sua extrema perseverança em aprender a ler. E as obras que você achou foram bastante importantes na sua formação. Infelizmente junto com as mesmas vieram também à infelicidade de saber que seu criador além de ter rejeitado-o, também o via como uma aberração. Esqueça essa história que você é uma aberração. Gostaria apenas de poder acalentá-lo... Sinta-se admirado por mim. Sei que você foi forçado a virar um assassino. Entendo sua dor...
                                                                                                                                                     Anna

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sábado, 30 de novembro de 2013

Carta um cavalheiro andante!!!


Roland,

Também estou em uma jornada em busca do meu homem de preto. Assim como você, sinto que ele tem todas as respostas. Mas também sei que boa parte delas, nós já temos! Valorize as pessoas que encontra pelo caminho, pois cada uma delas tem uma pista do lugar para onde temos que ir. Cada jornada é única, mas algumas vezes, elas se entrelaçam. Algumas respostas que você quer, eu já conheci... Mas preciso deixar você chegar lá com suas próprias pernas. E aprendi isso a duras penas. Deixar com que cada um siga seu próprio caminho. Pois é muito natural que você queira ajudar quem ama. Sim, aprendi a amar você, com suas qualidades, seus defeitos e seus traumas. Cada ser é um universo com tudo isso junto. E a pista que vim deixar com você foi que você aprenda a deixar ir. Mas também aprenda a deixar ficar... O Homem de Preto está muito perto de você...


Anna
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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Carta a outra menina travessa! - Coraline - Neil Gaiman



Minha menina,

Você que tanto quis desbravar mundos como a pequena Alice. Tenha calma! O mundo de lá pode ser mais perigoso do que o de cá. Pergunte a ela! Ela também já foi ao país dos espelhos... Eu também já estive lá... Houve um tempo em que eu só vivia lá. Tive medo. Conheci o horror. Descobri que a segurança é inimiga da diversão. Lembre-se do que o gato falou: somente nós seres humanos temos nomes, e você lembra o porquê? Porque não sabemos quem somos. Por isso, antes de nos aventurarmos ao país dos espelhos, descubra quem você é. Descubra, antes que Ela, a outra mãe, confunda sua cabeça. Não desgrude da sua proteção, seja ela uma pedra com um furo no meio, ou o amor de seus pais. Sei o quanto desejável pode ser aquele lugar, mas eu já estive lá. Então, escuta-me! Da próxima vez que você notar que o espelho mexeu de uma forma diferente, olhe mais uma vez, quem sabe não seja apenas a sua imaginação. Se você tiver sorte, será apenas a sua imaginação.

Anna
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Carta a uma alma gigantesca! - O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald




Gatsby,

Quando Nick me falou de você, confesso que fiquei um pouco desconfiada. Mas aos poucos, fui aprendendo a te admirar... Sei o quanto pode ser doloroso ter uma infância carente. As pessoas olham para você como se você não fosse alguém que merecesse ser notado. Mas a essas pessoas não devemos nada. Deixemo-los de lado e nos importemos com quem importa. Nick, por exemplo, sempre esteve ao seu lado. A amizade de vocês é digna de admiração. Conhecer a sua história me ajudou a perceber o quanto nós julgamos as pessoas. O julgamento impede que duas almas se encontrem. Mas o que o mistério em você nos fazia ter desconfiança, os olhos faziam amar. Seus olhos nos falavam de uma alma que merecia ser ouvida. Por favor, não deixe ninguém apagá-los. A Daisy não conseguiu conter a imensa alma que você tem, ela é pequena. Pessoas com almas pequenas não valem o esforço. Mas você? Qualquer esforço vale à pena!


Anna
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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Carta a um jovem pintor! - A Bolsa - Balzac




Hipólito,

Quando o conheci, senti o quão doce você é. Sei de sua história e de sua mãe. Sinto-me orgulhosa por saber o quanto você precisou se esforçar para chegar aonde você chegou. Seu talento é valorizado graças ao seu esforço. Fiquei preocupada com você quando soube da sua queda pela Adelaide. Ela é uma boa moça. Pelo menos, eu acho. Entendo o porquê de você ter desconfiado, mas perceba o quanto podemos estar enganados, o quanto podemos ser injustos quando não sabemos a história de alguém. A vida as vezes pode ser muito cruel com algumas pessoas. E pode levá-las a fazer coisas que em outras circunstancias não fariam. Por isso, vá com calma... Pense muito bem antes de fazer qualquer coisa. Confio no seu bom senso.



Anna
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sábado, 23 de novembro de 2013

Carta a um jovem influenciável! - O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

Dorian,
Meu querido! Não ligue para essas pessoas que pensam que você foi o culpado! Eu sei que tudo foi por culpa de Lorde Henry. Mas porque, meu bem, você foi ouvir aquele homem? Sinto sua falta... Ainda não consigo entender os motivos que o levaram a cometer tamanhas atrocidades, principalmente com você mesmo. Você tinha um futuro tão brilhante pela frente. Você era tão lindo... Tão jovem... Aquele retrato jamais retratou o tamanho de sua beleza. Seu sorriso doce... Seu rosto de menino... Eu te perdôo, Dorian, por todas as atrocidades cometidas por você. Aquela moça era mesmo muito bobinha, não entendia seu amor. E Basil? Ele apenas esteve todos esses anos entre nós. Mas Lorde Henry, esse sim, afastou você de mim. Ah, se você tivesse me ouvido e se afastado dele. Eu teria te ajudado a entender o que precisava ser feito. Mas Aquele homem horrendo, medonho. Mas sei que ele irá ter o que merece... Nem que seja a última coisa que eu faça...

Anna
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domingo, 13 de outubro de 2013

Carta ao meu violento amor... – Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë



Meu violento amor, 

Já sabe o quão difícil é ficar longe de ti, mas percebo que ficar perto irá nos fazer enlouquecer... Então o que faremos? Você foi a melhor e a pior coisa que já me aconteceu. Amo-te para além da vida. Vamos esquecer todos, eles não importam. Como podem pedir-me que o esqueça? Ninguém nos entende. Nosso amor será lembrado como o amor que resiste apesar deles... Meu amor por você é como as rochas eternas sob os nossos pés, uma fonte de felicidade pouco visível, mas necessária. Meu deus! Eu sou Heathcliff!!! Não se preocupe meu amor, logo estarei com você... Você irá me esperar na janela? Continuarei querendo entrar no Morro dos Ventos Uivantes... Espero que venha sempre ao meu lugar de descanso, pois permaneço jovem pela eternidade por você. Você foi me tirado cedo demais e sei que não suportei ver-te e saber que não te terias. Com que audácia Isabella achou que poderia tocar-te, quero-a morta! Assim como eu que não posso mais ter-te, ela também não terá... Venha meu amor, venha para perto de mim! Aqui é tão frio... Estou assustada sem você por perto. Qual seria o sentido da minha existência longe de você? O Morro dos Ventos Uivantes será nossa morada eterna... 

Anna
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Carta a menina-serpente - Alice no País das Maravilhas - Lewis Carrol



 Alice,

        Também não tenho certeza de quem sou eu... Encolher e esticar estão sempre acontecendo comigo. Quando estou encolhida, escondo-me no meu quarto, não sou tão corajosa quanto você. Como você, estou em constante transformação. A cada manhã, percebo-me diferente e não sei como fiz essa mudança. Enfim, o mundo é bastante confuso às vezes. Será que sou uma serpente ou uma menina? Acho que sou menina, também não gosto de ovos crus. Meu pescoço também não é tão longo. Será normal você não saber o que se é? Deve ser, pois não conheço uma pessoa que saiba com certeza quem seja. Se bem que não conheço pessoas normais, afinal se não fossem loucas não conversariam comigo. Nesse momento da minha vida, estou confusa também acerca de onde deverei ir, mas o Gato me confidenciou que você também passou por isso. E que o caminho a seguir depende de onde se quer chegar, mas se quiser chegar em qualquer lugar, pode pegar qualquer caminho. Acho que o Gato também é louco. Por falar em louco, tenho saudades do Chapeleiro. Ele me deixa desconcertada com todas aquelas perguntas. Mas adoro seu olhar de louco... Ai ai... Não conte nada para ele, tá. Você já descobriu a semelhança entre o corvo e a escrivaninha? Eu ainda não. Há muitas outras respostas que ainda não sei, como Porque o mar parece uma xícara? Enfim... Se todos se preocupassem com suas coisas, o mundo giraria mais rápido. Ou não! Adoro você e suas divagações, Alice!!! Vamos juntas ao País das Maravilhas dessa vez? Espero ansiosa...

               
                                                                                                     Anna



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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Carta ao senhor Chapeleiro

Querido Chapeleiro,

Você não imagina a falta que você me faz no chá das cinco... Nossos encontros no Pais das Maravilhas  ficaram inacabado. Mas sinto as vezes que não há lugar para mim. Será que você tem as respostas do que está acontecendo?  Então, me responda: Porque um corvo se parece com uma escrivaninha?  Eu também não sei. Só sei que a cada dia que passa sinto mais vontade de te ver e não sei nomear isso. Você me trouxe alegria e esperança de viver para sempre lá no país das Maravilhas. Lá onde o Tempo é alguém e posso convencê-lo a demorar a passar quando nós estivermos juntos... Quando você aparecesse, eu poderia dar uma dica para o Tempo e ele daria uma saidinha e quando nós estivéssemos longe um do outro, ele passaria para o momento de te ver de novo. Suas conversas loucas no inicio me assustavam, já conhecia loucos demais. Mas com o passar do tempo, eu passei a ver a pessoa interessante que você é. O que é loucura para alguns, é diversão para mim. Em relação a Lebre de Março, tento não pensar nela. Sinto ciúmes... Será que só você não vê que ela espera ficar o máximo de tempo possível no chá com você e faz coisas absurdas para conseguir o que quer? Ela me faz pensar novamente que não há lugar para mim, nem no chá nem na sua vida. Não quero me precipitar em relação ao que há entre nós. Tenho medo de assustá-lo com minhas histórias... E o Dormidongo está sempre a me pedir por mais algumas delas. Suas falas me fazem sonhar que minhas loucuras não pertencem somente a mim, mas você também as sente. Quando você pediu para que eu esperasse por você, acreditei... Estou cansada de seus comentários imparciais, só queria ouvir você falar o que sente. Sei que você acha que isso é falta de educação, mas já passamos dessa fase. Minha mente insana só quer ficar com você no chá das cinco! E então, devo esquecer ou há um lugar para mim?    

                                                                              Sua...  
                                                                                          Anna

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