sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A morte de Ivan Ilitch - Leon Tolstói



A morte, como pude perceber durante esse mês de leituras do Tolstói, é um dos temas que mais perpassa suas obras, sejam elas contos, novelas, ou romances. Dessa vez a morte descrita será a de um homem que apesar de possuir dinheiro e ter sido membro do parlamento, não era nobre, nem tinha importância para as pessoas que o rodeavam.

O primeiro fato que ocorre é a morte de Ivan Ilitch, personagem principal. Assim que descobrimos sua morte, vimos também seus companheiros no parlamento, já conversando sobre quem irá ocupar seu cargo. Nenhum deles parece estar triste ou sofrendo. Mas apenas interessados em o que irão receber agora. Estes mesmos amigos resolvem ir ver a viúva que está agora velando o corpo do marido. 

Mas logo no capítulo 2 da novela, somos transplantados para a história de Ivan, que já começa sendo descrita como um história simples e comum, tudo o que o personagem mais temia. Assim conhecemos Ivan. Homem que morre aos 45 anos, casado com Praskóvia e com quatro filhos, sendo somente uma filha. Assim, o autor passa a descrever somente esforços do personagem para chegar ao parlamento e ser alguém importante.

no início, a descrição dos sofrimentos de Ivan foram pesadorosos demais, e causaram-me um pouco de impaciência, mas percebo que o autor quis nos proporcionar a mesma sensação que o Ivan teve. Sua morte foi lenta e solitária. no fim, até mesmo sua esposa e filhos já não suportava mais as reclamações e gemidos de Ivan.

A morte é uma temática que me intriga muito. Assim, a leitura dessa novela me proporcionou perceber o quanto é solitário a morte. Mas preciso lembrá-los que aqui é descrita a morte, segundo a visão dos russos, e ninguém foi mais russo que Tolstói, segundo sua biografia. Lembrei-me das mortes descritas em seu outro conto Três mortes, onde o cocheiro teve uma morte tranquila, pois sabia vivenciar os ciclos, pois ainda era venerador da terra. Já a mulher nobre sofreu bastante, pois apesar das promessas feitas por sua religião, ela não se sentia pronta para partir. Ivan comporta-se de forma muito parecida, pois almeja ser importante. Mas sua terrível  e interminável doença mostrou-o que as pessoas não se importavam verdadeiramente com ele. E ele não sabia seguir o ciclos. Ele quis deixar um legado, infelizmente não foi isso que aconteceu.

A morte vista como os ocidentais, ou no caso do nosso país no contexto Judaico-criatão, é vista como triste, um fim. Mas ela não é vista assim em todos os povos. Para os egípcios antigos, a morte era onde nós estamos, a vida viria depois. 

Essa edição da editora 34 é magnifíca. A tradução é muito boa, feita pelo Boris Schnaiderman e prefácio e notas por Paulo Ronai. O livro é pequeno, mas a mudança causada no leitor é gigantesca.

Esse assunto me intriga assim como intrigava Tolstói, esperem mais textos sobre o assunto. E me deixem a opinião de vocês aqui. O link da resenha do conto Três Mortes estará aqui embaixo. 



2 comentários:

Aline T.K.M. disse...

Tolstói é um dos autores que há tempos quero ler. Tenho especial interesse pela temática, gosto de livros que abordam a morte, os ciclos da vida, a passagem do tempo, enfim. Espero conseguir ler algo dele ainda este ano (são tantas as leituras atrasadas que nem sei!).

Beijos, Livro Lab

Jéssica S. S. disse...

Será que este livro tem haver com a própria história de Tolstói? Ele era nobre, mas não concordava com a dominação deste grupo na política na Rússia. Interessante pensar que ele usa a morte e a questão dos poderes juntas.
Tenha ótima leituras,
Beijo!
Jéssica, d´O Feminino dos Livros.

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