sexta-feira, 7 de março de 2014

Kolstomer - Tolstói


Kolstomer é um conto critico, onde através da vida de um cavalo pudemos perceber as nuances que Tolstói com sua magnificiência nos conta. A escolha de um animal para o narrador foi o mais impressionante nessa obra atemporal.

O autor narra no conto a história de um cavalo. Seu nome, Kolstomer dá o nome ao conto que surpreende por ter um animal como protagonista e também como narrador. A descrição minunciosa dos sentimentos e sensações do cavalo perante todas as humilhações a que é submetido é bastante tocante e impressionável.

Kolstomer era um cavalo com histórico nobre, e possuia um nome de linhagem, Mujique I, mas seu futuro promissor seria encerrado logo depois do seu nascimento. Ele sobre preconceito de seus donos por ser mosqueado. Segundo eles, um cavalo assim não poderia pertencer a um nobre. Contrariando todas as expectativas, Kolstomer esforçava-se mais que os outros cavalos, para conpensar sua desvantagem. Um dia, Mujique I correu ao lado do cavalo preferido de seu dono. Ganhou com uma vantagem expectacular. Assim, foi mandado embora, pois não poderiam admitir que um cavalo mosqueado pudesse ganhar de um cavalo puro sangue. Assim, começa a saga de Kolstomer.

A trajetória do cavalo narrador é possuidora de inúmeras passagens que nos mostram o quanto o ser humano é mesquinho. Kolstomer é humilhado e maltratado de todas as formas possíveis. Troca de dono várias vezes, mas sempre é leal a quem quer que seja. Sua natureza servil, por vezes me irritou. Mas o mesmo sempre me mostrava que eu estava errada. 

Penso que Tolstói queria criticar a forma como os servos eram tratados por seus senhores e assim usou o cavalo, animal mais servil e leal com seu dono, para que persebamos que as regras de vassalagem eram injustas. E mesmo nauqela época, onde os serviçais eram comuns, já começava-se a se discutir o tratamento dado a eles. Mas será que hoje é diferente?

Impressa como Tolstói ainda é atual, mesmo no século XXI, onde há uma valorização exagerada da conquista pela liberdade. Mas será que conseguimos realmente a liberdade? Há liberdade em uma vida voltada a busca incansável de mais e mais dinheiro? Há liberdade diante da forma como somos tratados pelo mercado de trabalho? As vezes penso que a Liberdade não me é tão cara assim...

2 comentários:

Jéssica S. S. disse...

Lua, eu li apenas Sonata a Kreutzer do Tolstoi e foi uma experiência bem diferente e gostosa. Tenho muita vontade de ler mais coisas do Tolstoi. Neste post, você mostra coisas que me estingam a ler mais Tolstoi e vou colocar este livro na minha lista de livros para ler.
Obrigada por compartilhar suas experiências de leituras!
Tenha ótimas leituras!
Beijo,
Jéssica

Vanessa Paulino Venancio disse...

Lua, fiquei curiosa para ler o conto e, ao mesmo tempo, seus comentários fizeram lembrar-me do "Burrinho pedrês", um conto de Guimarães Rosa em sua obra Sagarana. Nesse conto, o burrinho também é o narrador e, através dessa leitura, surgem diversos questionamentos, como: quanto sabe esse narrador do mundo que narra? Quanto desse mundo narrado nos é apresentado pelo olhar de personagens, particularmente do burrinho-velho-e-sábio-não-muito-honesto? Que afinidades se podem apontar entre Sete-de-Ouros e João Manico? E as narrativas dentro da narrativa - a que apontam?
Desde já agradeço a iniciativa tão enriquecedora que foi a criação deste blog.
Excelente leitura a todos!
Vanessa

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